Este é o meu Corpo
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Este é o meu Corpo
Cardeal Angelo Bagnasco - 2008/11/03

A Eucaristia "não é um símbolo", afirma o Cardeal Angelo Bagnasco, em sua Carta Pastoral intitulada "Este é o meu Corpo". Ele nos recomenda uma visita diária ao Santíssimo Sacramento e ensina que a Sagrada Comunhão é "o antídoto contra a morte".

cardeal angelo bagnasco.jpgCardeal Angelo Bagnasco
Arcebispo de Gênova, Presidente da Conferência Episcopal Italiana

Em toda relação de comunhão chega o momento no qual as palavras não bastam: é preciso passar ao dom de si para se exprimir a riqueza e a profundidade do amor. Deus, em Jesus, agiu assim.

Após haver falado de muitos modos sobre Seu amor por nós, no fim deu-Se a Si mesmo no Filho: é o drama do Calvário, o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição. Jesus, "tendo amado os seus que estavam no mundo, até o fim os amou" (Jo 13,1); "os seus" são todos os homens, e "até o fim" indica não só o termo da sua vida terrena, mas também a medida extrema do amor, de um amor sem medida. [...] Em seu sacrifício, Jesus abraça a humanidade inteira, faz um só corpo com ela e, qual novo Adão, Se entrega ao Pai. [...]

A Eucaristia não é um símbolo

O Mistério Eucarístico torna presente tudo isso. No signo sacramental do pão e do vinho consagrados pelo sacerdote, Jesus continua a dar sua vida pela humanidade: doa-Se a Si próprio. O que seríamos sem a vida de Deus que, pela Eucaristia, derrama- se em nossas almas? Sem sua luz, que dá sentido à existência e à morte, ao presente e ao futuro?

Diante desse mistério de amor, a razão humana toca em seu limite e se abre à admiração reconhecedora e grata: "Fazei isto em memória de Mim" (Lc 22,19) [...]. Não é, pois, um símbolo, um modo comovedor de dizer, a recordação de um passado longínquo: reapresenta-nos - aqui e agora - o sacrifício de Cristo, realizado de uma vez por todas sobre o Calvário. [...] Entrar nessa relação e se tornar uma oferta grata a Deus em virtude de Jesus depende de nossa liberdade pessoal.

Deus procura nossa felicidade

A dimensão mais imediata da Eucaristia é indubitavelmente a do banquete: o pensamento voa imediatamente até a Última Ceia: "Tomai e comei [...] Depois tomou o cálice e [...] lhes deu, dizendo: bebei todos[...]" (Mt 26, 26-27). Tal aspecto exprime de modo inigualável quanto o Senhor procura a íntima comunhão conosco para nossa felicidade: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos" (Jo 6,53).
E isso não é um símbolo: "Minha carne é verdadeiramente uma comida e meu sangue, verdadeiramente uma bebida" (Jo 6,55). Como são belas as palavras de Santo Efrém: "Chamou ao pão seu corpo vivente, encheuo de Si mesmo e de seu Espírito [...] E aquele que o come com Fé, come fogo e Espírito!" Em nossa alma circula a força vital de Cristo, a energia da graça, a luz cálida do Espírito.

A vida terrena se transforma: as cruzes continuam como tais, mas seu significado muda, tornam-se um valor universal e eterno. E Ele as carrega conosco. A Sagrada Comunhão, se feita com as devidas disposições, é verdadeiramente "remédio de imortalidade, antídoto contra a morte" (Santo Inácio de Antioquia). A esse respeito, recomendo a confissão freqüente e regular; é a melhor preparação para a Comunhão Eucarística [...].

Sacramento da presença real de Jesus

"Não veja" - exorta São Cirilo de Jerusalém - "no pão e no vinho elementos simples e naturais, porque o Senhor disse

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A Sagrada Comunhão, se feita com as devi-
das disposições, é verdadeiramente "remédio
de imortalidade, antídoto contra a morte"
expressamente que eles são Seu Corpo e Seu Sangue [...]".

É um "mistério da Fé", o mistério da presença real! Junto com toda a tradição da Igreja, cremos que, com a consagração, Cristo Se faz realmente presente em corpo, alma e divindade.

Por isso adoramos a divina Eucaristia e nos ajoelhamos diante dela. [...] Recomendo que, em todas as comunidades paroquiais e religiosas, faça- se a adoração pelo menos semanal. Recomendo também a todos a "visita" cotidiana ao Santíssimo Sacramento

Jesus e a Igreja não podem ser separados

A Eucaristia é Cristo que Se doa a nós e nos edifica continuamente como Seu corpo, que é a Igreja: unindo- nos a Ele, une-nos entre nós nEle.

Por isso, Jesus e a Igreja não podem ser separados; e quanto mais nos unimos a Cristo, tanto mais cresce a comunhão eclesial e a fraternidade universal, dado que o Senhor nos pede que seja celebrado o Mistério Eucarístico como Ele fez no Cenáculo: lavando os pés dos Apóstolos.

Viver uma vida eucarística significa, portanto, viver oferecidos, isto é, obedientes ao Pai, em comunhão com a Igreja inteira; significa fazer de si um dom cotidiano aos irmãos.

Não podemos esquecer que o maior ato de amor é anunciar Jesus, único Salvador e Redentor, luz e esperança do mundo. O dom de Cristo, que permanece no Sacramento, não pode ser apenas nosso. Deve ser anunciado "sobre os telhados" (Mt 10, 27).

A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia

A Santa Missa - recorda o Concílio - é um único ato de culto constituído de duas partes estreitamente ligadas: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia (cf. Sacrosanctum Concilium, 56). Antes de ser alimentada com o Pão Eucarístico, a assembléia é alimentada pela Palavra de Deus: "Ele, em seu imenso amor, fala aos homens e amigos, e Se entretém com eles" (Dei Verbum, 2): continua a narrar seu amor de misericórdia misericórdia e de salvação. A Palavra da Escritura contém uma eficácia excepcional, que nenhuma palavra humana, por mais elevada que seja, possui. Por isso Santo Inácio de Antioquia, enquanto se dirigia ao martírio, escrevia com paixão: "Confiome ao Evangelho como à carne de Cristo". [...]

"Vinde e vede"

Caros amigos, é difícil, em um espaço restrito, falar de um mistério tão grande [...]. Cada um, a partir daquilo que leu, vá mais longe. Sobretudo, recordo um grande princípio que vale tanto para as coisas humanas como para as de Deus.

A experiência nos diz que não podemos compreender tudo, porque a realidade é maior do que nós. Isto não nos exime do esforço da pesquisa e do estudo, mas com humildade, sem pretensões absolutas. Muitas coisas, as compreendemos somente vivendo-as. Jesus disse a quem O interrogava: "Vinde e vede" (Jo 1, 39).

À luz desse simples princípio, convido cada um a experimentar o Mistério Eucarístico: é preciso ir com freqüência à Santa Missa, não só aos domingos; fazer muitas vezes a Adoração Eucarística; fazer todo dia uma breve visita ao Santíssimo Sacramento.

Não ficar preocupado com o problema do que fazer e de como fazer.

Basta colocarmo-nos em paz diante dEle, sabendo que em nós está o grande Mestre da oração [...].

Desejo a mim e a todos que sejamos como a gota de água que o sacerdote põe no cálice do vinho que se tornará o Sangue de Cristo. Imergir nossa pequenez na grandeza de seu amor. Não nos perdemos com isso, mas nos reencontramos felizes.

(Extratos da Carta Pastoral "Este é o meu corpo", 1/10/ 2007)
(Revista Arautos do Evangelho, Julho/2008, n.79, p. 10 e 11)

 

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