A eficácia da Igreja passa pela Páscoa do Senhor
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A eficácia da Igreja passa pela Páscoa do Senhor
Pe. José Francisco Hernández Medina, EP - 2011/06/06

Entrevista com Dom Antonio Guido Filipazzi

A obra da nova evangelização não pode ser reduzida a uma mera iniciativa humana, algo que devemos planejar, organizar e realizar. Trata-se, pelo contrário, sempre e acima de tudo, da ação de Deus que atinge os corações.

Pe. José Francisco Hernández Medina, EP

Vossa Excelência foi sagrado Bispo há poucos meses, na Basílica de São Pedro, pelas mãos do Santo Padre. Quais são as recordações dessa solene ordenação?

Receber o Episcopado, a plenitude do Sacramento da Ordem, já de si, é uma grande realidade, se se considera quanto isso confere e quanto implica de compromisso e responsabilidade, sobretudo se confrontado com nossa fraqueza e fragilidade pessoal. Obviamente, estes sentimentos concomitantes de gratidão e de inadequação se acentuam quando penso no fato de que o Santo Padre quis conferir-me pessoalmente a ordenação episcopal, com quatro outros prelados, e que ela tenha ocorrido na Basílica Vaticana, no altar sobre o túmulo de Pedro.

Por outro lado, como Núncio Apostólico, o meu episcopado está todo a serviço do Papa, de sua tarefa de guia e de unidade no que se refere à Igreja universal. Assim, as circunstâncias de minha ordenação confirmam essa direção particular do meu futuro ministério como Bispo.

Sendo o mais novo Bispo italiano e o mais jovem núncio da diplomacia vaticana - mas com vasto conhecimento nesse campo, pois prestou serviço nas Nunciaturas da Alemanha, Áustria e Sri Lanka - , poderia Vossa Excelência nos mostrar como é a ação da Igreja e os meios de evangelização em países com realidades tão diferentes?

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que é uma graça conhecer a realidade da Igreja em diversos países e continentes, pois assim se pode admirar sua grande e multiforme riqueza, a qual, todavia, em nada prejudica sua unidade, seu ser um só rebanho sob um só pastor (cf. Jo 10, 16). Podemos, assim, nos sentirmos em casa em todas as partes do mundo, porque em qualquer lugar encontramos a única Igreja; essa é a experiência dos diplomatas da Santa Sé.

Obviamente, a história, a cultura, as condições sociais e os problemas tornam diversa a situação da Igreja nos países onde prestei serviços; há por certo uma maior afinidade e semelhança entre a Alemanha e a Áustria, embora não lhes faltem também diferenças. Assim, compreendemos como a vitalidade aparece sob formas diferentes, e os meios de evangelização correspondem às tradições das diversas nações. Tratando-se, entretanto, da Igreja, realidade sobrenatural, é radicalmente decisiva a ação da graça de Deus que opera nas almas.

O Papa Bento XVI criou recentemente o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, visando principalmente os países sujeitos a uma progressiva secularização da sociedade. Pela experiência que vossa Excelência tem, qual é um meio eficaz para reacender a fé, esperança e a caridade nessas nações?

Convém recordar que a obra da nova evangelização não pode ser reduzida a uma mera iniciativa humana, algo que devemos planejar, organizar e realizar. Trata-se, pelo contrário, sempre e acima de tudo, da ação de Deus, misteriosa e poderosa, que atinge os corações. Portanto, de nossa parte ela requer, sobretudo, o contributo decisivo da nossa oração e do nosso sacrifício. É por isso que os santos são sempre os verdadeiros e principais colaboradores da nova evangelização. Se esse ponto não estiver bem claro, corremos o risco de impostá-la mal e trabalhar em vão! E isso é válido para todos os países e continentes.

Ainda a este respeito, vale aquela verdade fundamental, que eu quis expressar, escolhendo como meu lema episcopal o início do Salmo 126: "Nisi Dominus ædificaverit... - Se o Senhor não edificar...".

Na Mensagem para o dia das Comunicações Sociais, o Santo Padre assinala que o mundo atual passa por uma enorme transformação cultural, na qual as novas tecnologias têm um papel preeminente. Como deveria ser feita a evangelização na nossa época "digital" e globalizada?

É claro que hoje temos à disposição meios tecnológicos muito poderosos, mas não esqueçamos que eles são, em certo sentido, "neutros", ou seja, podem servir tanto ao bem quanto ao mal. Aos olhos de todos, instrumentos como a internet mostram claramente essa "ambiguidade".

Além disso, é necessário recordar que esses novos recursos colocados a serviço da evangelização nunca podem substituir os "meios da Graça", que são os Sacramentos, mas devem conduzir a eles, isto é, ao encontro pessoal com o Senhor na Igreja. Não podemos, portanto, satisfazer-nos com o relacionamento meramente "virtual".

Minha impressão é que, às vezes, se considera que as novas tecnologias têm uma eficácia quase mágica diante das crescentes dificuldades que a vida e a ação da Igreja encontram sobretudo na sociedade ocidental. Mas é uma ilusão perigosa, pois a eficácia da Igreja passa sempre pela Páscoa do Senhor, ou seja, pelo mistério da sua Morte e Ressurreição.

Em que medida o crescimento do materialismo, relativismo e laicismo no mundo inteiro dificulta a ação e até a presença da Igreja?

Em seu discurso para o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, em janeiro passado, o Papa Bento XVI voltou a indicar os desafios atuais relativos ao respeito pela liberdade religiosa no mundo. Com efeito, ela não é ameaçada só pela perseguição aberta que se registra em algumas zonas do mundo. Especialmente na sociedade ocidental verifica-se uma tentativa de marginalizar a religião da vida da sociedade, e isso depende da difusão das posições culturais mencionadas na pergunta.

Como recorda o Santo Padre, cresce afinal nos últimos tempos a consciência de que também no Ocidente - tão impregnado de Cristianismo e tão ufano de sua liberdade - a Religião, o Cristianismo, sobretudo a Igreja Católica, são discriminados e combatidos. Essa nova consciência é devida, também, à ação da diplomacia pontifícia no nível das relações bilaterais e dos organismos internacionais.

O sucesso dos livros do Papa Bento XVI mostram a avidez dos católicos de todo o mundo em ouvir a palavra do Pastor. Qual é penetração e a força das palavras do Santo Padre?

Na verdade, o Santo Padre sempre nos surpreende com sua palavra e com seus escritos, nos quais conjugam-se perfeitamente profundidade,originalidade e clareza.

Acredito que a tarefa de todos - sobretudo dos Bispos, sacerdotes e religiosos - seja de prestar muita atenção nesse magistério, assumi- lo e difundi-lo. Ou seja, é necessária uma profunda sintonia com o Papa e seu ensinamento, porque essa unidade é condição de eficácia da ação eclesial. Infelizmente, as posições dissonantes das do Papa criam incertezas, divisões, e escândalos. Devemos sempre reencontrar a unidade em torno da Fé de Pedro, que vive no seu Sucessor.

* * * * * * *


Dom Antonio Guido Filipazzi_.jpgDom Antonio Guido Filipazzi, nascido em Melzo (Milão) há 47 anos, foi ordenado sacerdote em Gênova pelo Cardeal Giuseppe Siri e incardinado na Diocese de Ventimiglia-Sanremo. É bacharel em Teologia e doutor em Direito Canônico pelo Centro Romano da Santa Croce.

Diplomado pela Pontifícia Academia Eclesiástica em 1992, tem desempenhado os cargos de secretário da Nunciatura Apostólica em Sri Lanka, Áustria e Alemanha, bem como o de conselheiro da Seção para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado. Em 8 de janeiro de 2011 foi ordenado Bispo pelo Papa Bento XVI e, em 23 de março, nomeado Núncio Apostólico para a Indonésia.

(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2011, n. 114, p. 24-25)

 

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